sábado, 4 de maio de 2013

Estácio da Veiga......



(Estácio da Veiga)

Continuando a lembrar aqui, os escritores e poetas Algarvios, venho hoje, na sequência de uma “dica” dada pelo meu caro amigo Joaquim Cosme, lembrar o arqueólogo e escritor português Estácio da Veiga (também ele natural de Tavira onde nasceu a 6 de Maio de 1828), através deste belíssimo poema que nos conta uma lenda sobre a “Fonte Santa”

Era de  maio uma tarde,
De taes flores perfumada
Que a Virgem Mãe do Rosário
De tanto enlevo enlevada
Junto à margem de um ribeiro
Céu e terra contemplava.
Nas águas que ali corriam,
Via-se ella retratada,
E dos mirtaes e roseiras
Que o ribeiro refrescava,
Uma capella tecera
Para a Senhora da Orada.
Tecida que era a capella,
Logo ali se ausentara,
Levando no seu regaço
O Filhinho de su’alma.
Indo em meio do caminho
Grande calôr apertava;
A água o Menino pedia,
Mas sua Mãe lh’a não dava,
Que dentre aquellas estevas
Olho d’água não brotava.
Crescia a sede, crescia,
E então a Virgem parava.
Lança olhos á ventura,
Vê uma rocha escarpada,
Onde o sol dava de face
Com tal ardor que crestava!
Palavras que a Virgem disse,
Logo pelo céu entraram,
E o rochedo que as ouvira,
Em fonte se transformara.
O caso é que em bem pouco
Água tão fresca jorrava,
Que aos pés da Santa corria,
Como quem lhe os pés beijava.
Bebendo que era o Menino,
Toda a fonte se cercava
De alecrins e mangeronas.
E rosas de toda a casta;
Desde então ficou a fonte
Chamada a fonte fadada.
Dera-lhe a Virgem tres chaves,
Uma de oiro, e as mais de prata.
Uma para ser aberta,
Outra para ser fechada,
E outra para ali guardar
Almas puras como agua.
Das almas que a Santa Virgem
Muitas vezes lá guardava,
Ficou o povo chamando
Á fonte – “fonte das almas”.

Tal como Emiliano da Costa, Estácio da Veiga teve como berço a bela cidade banhada pelo Rio Gilão, tendo vindo a falecer em Lisboa, no dia 7 de Dezembro de 1891.


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