quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

MARIA LAMAS.....


Na última aula do Professor Novais Granada – “Oficina da Escrita” foi falado o nome de MARIA LAMAS como sendo uma mulher que, além de muito bonita, teve um papel extremamente importante (para época) na sociedade portuguesa.

Lembrei-me de pesquisar um pouco na net sobre a vida desta Senhora nascida no século XIX, de personalidade dinâmica e afirmativa e cuja preocupação sempre foi “a condição das mulheres em Portugal”.

Sobre o que encontrei, não queria deixar de partilhar com todos os que habitualmente fazem o favor de visitar este “espaço”, onde, ao acaso, vou “escrevinhando” de tudo um pouco:

_________________________________________

“Maria Lamas nasceu em Torres Novas em 1893. Criança contemplativa e reservada, recebeu uma educação de tipo tradicional no Convento de Santa Teresa de Jesus, que só viria a completar mais tarde, depois de casada. Saiu do colégio em 1910, por alturas da proclamação da República, acontecimento que referia como um dos marcos profundos da sua vida.

No mesmo ano conheceu o oficial de cavalaria, Ribeiro da Fonseca com quem casaria um ano mais tarde. Apenas com dezassete anos, acompanha, então, o marido, que parte para África, onde permanece até 1920. A sua vivência de África reflecte-se no livro Confissões de Sílvia.

Regressa a Portugal depois do seu divórcio e fixa-se em Lisboa, onde se dedica ao jornalismo.

Começou por trabalhar numa agência de notícias, depois na revista ‘Civilização’ e finalmente no ‘Século’ onde entrou, pela mão de Ferreira de Castro, para dirigir o ‘Modas & Bordados’, uma típica revista para donas de casa, à qual Maria Lamas dedicará 20 anos da sua vida, tentando transformá-la em algo mais significativo.

Manteve, durante anos, a famosa coluna ‘O Correio da Tia Filomena’, onde, dentro dos condicionalismos da censura, falava da condição das mulheres em Portugal.

Sendo o jornal ‘O Século’ um dos expoentes importantes da cultura portuguesa na época, Maria Lamas encontrou aí uma plataforma de trabalho propícia para a sua personalidade dinâmica e afirmativa e desenvolveu vários projectos, organizando conferências, concertos e exposições.

Tendo a mulher portuguesa como temática geral de fundo, ficaram, então, conhecidas algumas das exposições que promoveu e organizou, como por exemplo, a que apresentou teares do Minho, mesas de trabalho de mulheres como a Marquesa de Alorna e Carolina Michaelis, e onde recriou um conjunto de actividades femininas, ou a que foi a realizada com tapetes de Arraiolos fabricados pelas reclusas do estabelecimento prisional das Mónicas e que permitiu a estas algumas horas de liberdade, nos salões do ‘Século’, para apreciarem os seus trabalhos.

Sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, escreveu obras infantis, como Caminho Luminoso e Para Além do Amor, entre outras.

Em 1945, Maria Lamas é eleita presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, associação fundada durante a I República e alvo de sistemática repressão pelo regime salazarista. O Conselho viria a ser encerrado algum tempo depois pela P.I.D.E., mas o cargo permite que Maria Lamas percorra o país e conheça melhor a condição das mulheres. Dessas viagens nasce o livro As Mulheres do meu País, que ficará como um referente histórico. Após esta obra publicaria ainda A Mulheres no Mundo e O Mundo dos Deuses e dos Heróis.

As suas opções pessoais e posicionamentos políticos valeram-lhe várias detenções ao longo da vida. A primeira teve lugar como consequência do seu apoio à candidatura do General Norton de Matos. É presa sob a acusação de propagar notícias falsas e pedir a libertação dos presos políticos. Esta seria apenas a primeira de outras detenções, que viriam a afectar profundamente a sua saúde e a determinar a sua condição de exilada política.

A partir de 1961, na qualidade de Membro do Conselho Mundial da Paz fixa-se, em exílio, durante oito anos, na cidade de Paris. É da janela do seu quarto no Hotel Saint-Michael que apoia os jovens durante o Maio de 1968, passando-lhes baldes de água para se protegerem dos gases lacrimogéneos.

Apesar dos seus oitenta anos, apoia ainda com todo o vigor a revolução do 25 de Abril, em Portugal.

Como directora honorária do ‘Modas & Bordados’, foi uma das primeiras pessoas a receber a Ordem da Liberdade das mãos do Presidente da República.

Maria Lamas faleceu em Évora aos noventa anos de idade deixando na memória de todos os que com ela conviveram a marca de uma personalidade rica, invulgar e influente, de forma duradoura, para a construção de uma visão nova e alargada do papel da mulher e da democracia.”


1 comentário:

  1. Hoje 8 DE MARÇO! DIA INTERNACIONAL DA MULHER!NA MINHA MEMÓRIA VEIO LOGO O NOME DESTA GRANDE MULHER, MARIA LAMAS. ATÉ SEMPRE.

    ResponderEliminar